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Isna...

Isna…
Escondida entre vales, envolta no verde dos pinheiros, no castanho dos campos já deixados sem sementes...onde os sons se tornam mais nítidos, bonitos, únicos, reais…onde cada cor do campo é ainda mais bela do que em qualquer outro lugar…É portanto, uma “pintura” esplêndida de um lugar bem real que não deixa ninguém indiferente.
Foi a terra onde cresci, foi o meu “berço” durante a minha infância e adolescência…hoje continua a ser a minha aldeia do coração, onde sempre que posso, vou.
Com o passar dos anos vi as pessoas cujas raízes são dali voltar de fim-de-semana, de férias…vi pessoas “partirem” para sempre…vi tudo ficar mais vazio: casas sem ninguém, recantos desocupados (porque quem os ocupava partiu) … No Verão, no Natal, na Páscoa e no Carnaval, tudo ganha mais vida: “nós” voltamos!
Aqueles que ali se fixaram vivem do que o campo lhes dá. Numa luta diária, debaixo do sol escaldante, da chuva fria, cuidam primorosamente dos campos de cultivo e dos animais. É deste trabalho árduo que “nasce” a broa de milho, o mel, os bolinhos caseiros, o maranho, a chanfana…tantas coisas que nos fazem crescer água na boca.
Gente humilde, sem muitas posses, mas que, como sempre disse, sabe partilhar o pouco que tem: “pode ter apenas uma migalha, mas dá-a”!
No geral, quem ali vive é unido…
Às vezes, ao “andar” pela minha terra, gostava talvez de ver tudo um pouco mais cuidado e embelezado…porque uma aldeia assim, deve ser estimada. O nosso património é ouro! Contudo, entristece-me ver que nem sempre as coisas são cuidadas com o devido “respeito”, que não se dá importância ao património comum. Um exemplo?! A fonte mandada construir pelo Rei D. Carlos I nos primórdios do séc. XX; de dia olho para ela e vejo um cano por onde escoa a água do tanque que em nada tem a ver com a sua beleza e história, resultado de uma obra do século XXI mas feita com a mentalidade do séc. XIII. De noite olho e vejo uma nuvem escura, como se ali não existisse fonte (há iluminação moderna que a pode favorecer, mas ali nem vê-la).
Os apelos para dar alguma dignidade ao único monumento histórico da aldeia são feitos pelas vias competentes mas caem em saco roto.
Podem dizer que é fácil criticar. Pois é…mas se se elegem representantes do povo, é para que estes façam algo de proveitoso para a terra…até agora pouco vi. Acrescento: critico porque tenho legitimidade para tal, pois tento cuidar um pouco desse património: todos os anos a Fonte do Rei é limpa pelas “meninas” do cimo. Fazemo-lo no sentido de dar uma pequena contribuição para o bem comum. Mas fazemo-lo, porque as entidades competentes não o fazem.
Por isso, um pedido: cuidemos todos da nossa terra como ela merece.

Por: Ana Cardoso

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